Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo – São João del Rei – Minas Gerais

Texto: “São João del Rei Online” (www.sjdr.com.br)
Fotos: Patrimônio Espiritual

A primeira capela de Nossa Senhora do Carmo foi benta no dia 20 de dezembro de 1734, pelo Pe. Antônio Pereira Corrêa, vigário da Vara interino. Sua construção teve início nos primeiros dias de 1733. A autorização concedida à Irmandade de Nossa Senhora do Carmo com sede na Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, para a construção de sua capela, por Dom Frei Antônio de Guadalupe, bispo do Rio de janeiro é datada de 10 de dezembro de 1732. A regalia de Ordem terceira foi concedida por bula papal de 9 de setembro de 1746, sendo Pontífice Benedito XIV, no 7º ano de seu pontificado.

A atual fachada da igreja foi iniciada em 1787, tendo como diretor das obras e seu artífice, o grande mestre português Francisco de Lima Cerqueira, que na ocasião trabalhava na construção da Igreja de São Francisco de Assis. Seu conjunto talvez exceda em “equilíbrio e perfeição de desenho à de São Francisco, não sendo tão rico em ornatos e trabalhos” (Rodrigo M. F. Andrade, Prefácio do livro de Zoroasto Passos, “Em torno da História de Sabará”). Sua fachada figura como exemplo de templo mineiro da época das grandes construções no livro de Miram de Barros Latif: “Minas Gerais”, tem comprimento de 50 metros por 16 de largura, na parte externa.

Trabalharam também na construção da fachada da igreja os artistas Agostinho Gonçalves Pinheiro, que serviu de mestre de obra, e o entalhador Luís Pinheiro, em certa ocasião foi consultor. Nas obras da torre e frontão foram consultados e talvez tenham trabalhado os artistas alferes Aniceto de Sousa Lopes e Manuel Machado.

As torres, desde as bases até as cúpulas sustentadas por prolongamento das pilastras e nova cimalha, são em formato octogonal, com frestas abertas nas arestas, o que é considerado raro na arquitetura colonial. As cúpulas em forma bulbar terminam por uma coroa armilar e cruz de metal.

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Um medalhão de Nossa Senhora do Carmo muito bem esculpido e artisticamente disposto está colocado no meio da portada. Nossa Senhora do Carmo tem como resplendor um círculo, tendo ao centro uma estrela. Tem o Menino Jesus no braço esquerdo e segura com a mão direita um escapulário, o diadema do Menino Jesus tem a originalidade de ser feito de pequenas conchas unidas. Arcanjos entre nuvens estão aos pés da imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Logo abaixo da medalha há um delicado escudo da Ordem do qual se desprende uma fita com a inscrição: “DOMINUS-IN-SION-MAGNUS-MARIA-MATER-EJUS-IN-LIBANO”.

No escudo da direita está inscrito: GLORIA LIBANI DATA EST EI. No da Esquerda: DECOR CARMELI & SARON. A verga tem formato de arco abatido composto de pequenas volutas laterais que se encontram na parte central num pequeno arco.
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Em 1816, quando já deviam estar terminadas as principais obras da portada, desejando acabar as obras do corpo da igreja, a Mesa resolveu em reunião do dia 22 de junho mandar vir um Risco da “Côrte do Rio de Janeiro” para se continuar o corpo da Igreja e a capela-mor, sendo feito pelo melhor arquiteto que “na Côrte ouver”. Foi escolhido o arquiteto João da Silva Muniz, mas não foram tomadas em considerações suas condições por exigir que a “obra do Fronte Espício que se acha feita” “devia ser abolida para principiar Arquitetura em plano nôvo; e de outra maneira” e por cobrar pelo risco 256$000 réis. Na mesma reunião de 13 de agosto de 1816, ficou resolvido que se continuasse a obra, depois de ouvidos os mestres João Antônio Fontes e alferes Valentim Corrêa Pais, pelo “Risco que elles aprezentarão” e com dois altares colaterais nos lados das paredes e tribunas.

Os artísticos trabalhos em madeira da capela e altar-mor e dos púlpitos são de autoria do artista Manuel Rodrigues Coelho.

Em 1824 tratava a Administração da Ordem em terminar o engradamento do forro do corpo da igreja, contratando para isso o Cap. José Antônio de Mesquita, que se prontificava a entregar toda a madeira em um ano.

Em 1855 houve grandes reformas principalmente no assoalho da igreja e forro e serviços na capela-mor. No dia 6 de julho de 1855 houve a bênção da imagem de Nossa Senhora do Carmo e da nova capela-mor, com Missa Cantada e Sermão. Em 1870 houve novamente obras no templo.

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Os altares laterais do corpo da igreja e este grupo foram entalhados pelo artista sanjoanense Joaquim Francisco de Assis Pereira, assim como a imagem de Cristo atado à coluna.

Apoiado na cimalha, que corre por todo o corpo da igreja, e bem no centro do arco-cruzeiro, está um escudo, ornado de volutas, que tem em seu campo central o emblema da Ordem Terceira do Carmo. É ladeado por dois grandes anjos. Um grupo escultural, no teto abaulado da grande nave, representa o Santo Padre o Papa João XXII recebendo de Nossa Senhora do Carmo a inspiração da Bula Sabatina.

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No retábulo da bela capela mor, dentro do trono, venera-se a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Essa imagem, esculpida em Portugal, foi benta solenemente no dia 1º de maio de 1925, pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana.

A capela do Santíssimo Sacramento foi inaugurada e benta no dia 26 de março de 1940. Tem um altar bonito e bem esculpido que pertenceu à antiga igreja Matriz de Rezende Costa, onde foi adquirida pela Mesa Administrativa da época. No camarim do altar está a imagem de Nossa Senhora do Carmo antiga, de roca e ricamente vestida.

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Capela do Santíssimo

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