Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Rio de Janeiro, RJ

Texto e fotos: Eliane Antunes

Essa igreja foi construída entre as décadas de 30 e 40 do século XX, de arquitetura eclética, mesclando  características de inspiração românica e bizantina, onde se destacam a linda rosácea e as elegantes cúpulas. Sua portada em arco de 180° é decorada por arquivoltas formadas por frisos em torçal, de elementos florais, folhas de acanto, elementos fitomorfos entremeados por linha em ziguezague e frisos lisos, todos sustentados por colunas de fuste liso e capitel ornado por elementos florais e fitomorfos.

Em 1952, o pintor italiano Antonio Maria Nardi (Ostellato, Ferrara 1897- Bolonha-1973) foi contratado para executar a decoração interna da igreja em 4 etapas:

1 ) Cúpula – possui uma representação da glorificação de Nossa Senhora e a Santíssima Trindade. No tambor foram representados os profetas Isaías e Jeremias, os reis Davi e Salomão e os quatro evangelistas (Mateus, Marcos Lucas e João), além de arcanjos e anjos.

2) Nave e laterais superiores – apresentam oito telas que narram a história do quadro milagroso de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e dois painéis representando os símbolos da Ladainha Lauretana (os anjos apresentando o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro aos pobres, aflitos e aleijados que imploram a ajuda da Virgem Maria e os anjos com instrumentos musicais tocando e cantando “Salve, Regina”).

3) Via Sacra – catorze quadros distribuídos nas laterais inferiores.

4- Pintura sobre o altar mor- Cristo Rei ladeado por anjos estilizados e os quatro evangelistas, cada um representado pelo atributo que o distingue: São Lucas –touro, São João- águia, São Mateus- anjo e São Marcos- leão.

Além de toda área pintada, Nardi também projetou o altar mor incluindo o medalhão em prata cinzelada (executado na cidade do Porto, em Portugal), no qual está fixado o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, este pintado pela devota e moradora do bairro, Elizabeth Saione.

Como a igreja está localizada em praça arborizada, seu entorno não mudou muito desde a sua construção. A praça é muito bem cuidada, abundante em árvores e dois bonitos caramanchões com bancos para proporcionar aos usuários momentos de descanso.

Em janeiro de 1961 ficou pronta a calçada de 400 m² em pedras portuguesas alternando as cores preta e branca, com o monograma de Maria encimado por coroa e elementos fitomorfos estilizados, similares aos do medalhão de Nossa Senhora, desenhado pelo artista Antônio Maria Nardi.

O monumento foi tombado pelo decreto nº 39.102 (19-08-2014) da prefeitura do Rio de Janeiro.

Foram incluídos no tombamento da igreja, a volumetria, as fachadas, o revestimento do piso, de paredes e tetos, os vãos e esquadrias, as colunas, os telhados, o interior da edificação e todos os elementos arquitetônicos e decorativos característicos da tipologia original do templo religioso.

Como aconteceu em diversos monumentos, atualmente sua fachada é protegida por grade de ferro. À sua esquerda foi erguido um prédio anexo para cumprir a função de Casa Paroquial, com salas de catequese, auditório e salão. Esta obra foi iniciada na gestão do padre Joaquim Marques Pascoal (década de 1970) e terminada na administração do monsenhor Jorge Aziz Abrahão, quinto padre da paróquia.

Em 2008, o artista plástico e restaurador paranaense Marcílio Soares e equipe foram responsáveis pela restauração de todas os afrescos e telas pintados pelo artista Antonio Maria Nardi. Em 2014 foi a vez das imagens religiosas serem restauradas.

 

 

Bibliografia:

Almanaque do Grajaú. Ano II, vol. II. Rio de Janeiro: 2008.

-ARRESE, Miguel Cortés. O melhor da arte bizantina. Lisboa : G & Z Edições,1997.

-RAMALLO, Germán. Saber ver a arte românica. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

 

Créditos das Imagens:

Todas as imagens em pb foram retiradas do site: http://igrejadograjau.blogspot.com.br , oriundas do álbum Turismo da Guanabara Nº 4,  executado em 1965 pelo fotógrafo A. Lopes dos Santos Sobrinho, edição encomendada pelo pároco Alberto Teixeira Ferro.

As imagens coloridas são de autoria de Eliane Vilela Antunes, exceto a do restaurador Marcílio Soares retirada do site: http://www.marciliosoares.com.br.

Localização: Praça Edmundo Rego, 27  Grajaú – Rio de janeiro,

Pedra fundamental benta em 8 de fevereiro de 1931.

Inauguração: 13 de maio de 1942 (elevada à categoria de paróquia).

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