Matriz de Santo Antônio – Ouro Branco, Minas Gerais

Essa igreja foi edificada na primeira metade do século XVIII, em um ponto da Estrada Real onde os viajantes que vinham do Rio de Janeiro deixavam as colinas amenas da Mantiqueira e adentravam na região mais montanhosa e inóspita da região aurífera mineira. Ali, a imponente Serra do Ouro Branco fazia as vezes de linha divisória dessa mudança do relevo, e, desde então, tem servido de moldura natural para essa que, apesar de pequena, é uma das mais elegantes matrizes da região.

O templo foi dedicado a Santo Antônio, o frade franciscano nascido em Lisboa e falecido em Pádua, durante a Idade Média. O documento mais antigo dessa igreja é um registro de casamento, datado de 1717. No ano de 1724, foi elevada a freguesia, com um vigário ‘colado’ (residente).

Sobre a construção dessa igreja, consta que foi levada a cabo por ao menos três irmandades: Santo Antonio, Nossa Senhora da Conceição e São Miguel e Almas. No entanto, é de se supor também a existência da tradicional irmandade do Santíssimo Sacramento, que esteve presente na história de quase todas matrizes mineiras, e cujo brasão pode ser visto também nessa de Ouro Branco.

Não há registros oficiais sobre quem teria feito os três belos retábulos em seu interior. O historiador francês German Bazin faz notar que o estilo deles correspondem ao período de 1735-1750.

Um documento de 1745 informa que a Confraria de São Miguel e Almas (que tinha como ofício principal rezar pelas almas do Purgatório) decidiu dourar o seu altar, situado do lado da epístola. Como não tinham ouro, ficou acertado que um morador da cidade, chamado Francisco da Costa Mattos, iria bancar o douramento necessário, mediante pagamento posterior. O artífice encarregado da douração e pintura chamava-se Antônio Caldas. Ao que parece, os outros dois retábulos foram dourados posteriormente, após 1750.

A fachada da igreja demonstra clara influência da reforma estilística realizada em Minas pelo Aleijadinho, adotando linhas mais esbeltas emolduradas por cantaria. Em Ouro Branco, essa obra foi feita pelo pedreiro Domingos Coelho, e uma data sob a cruz indica que foi concluída em 1779.

Provavelmente em fins do século XVIII ou princípios do XIX, e concluindo as várias décadas de obras e embelezamentos, a igreja recebeu em seu forro pinturas do Mestre Ataíde.

Atualmente, a paróquia encontra-se sob os cuidados dos padres Orionitas.

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Suposições Sobre um artista

Não há documento oficial, e praticamente nenhuma referência acerca de quem realizou a talha dos retábulos dessa igreja. No entanto, é possível constatar que os dois retábulos colaterais dela possuem um risco muito semelhante àquele encontrado nas igrejas onde trabalhou Francisco Xavier de Brito, um dos principais mestres do Aleijadinho.

Sabe-se que, entre 1735 e 1738, Xavier de Brito realizou a talha dos seis retábulos laterais da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência no Rio de Janeiro, e, após a conclusão desse serviço, mudou-se para Minas Gerais, onde entalhou retábulos no interior da Matriz de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto, na igreja de Santa Efigênia, na mesma cidade, e na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas do Mato Dentro. E há consideráveis semelhanças estilísticas entre retábulos dessas igrejas e os da matriz de Ouro Branco. Além disso, as datas do provável entalhamento dos altares coincidem com o período em que esse artista se deslocou do Rio para Ouro Preto…

Assim, tem-se que: a) Francisco Xavier de Brito passou pela Estrada Real após 1738; b) Ouro Branco fica na Estrada Real, pouco antes de Ouro Preto; c) Bazin supõe que os retábulos foram feitos entre 1735/1750; d) Em 1745 a Irmandade de São Miguel e Almas de Ouro Branco decidiu dourar seu altar (já estava pronto, portanto); d) Finalmente, existe uma enorme semelhança no risco dos retábulos de Ouro Branco com o de outros realizados por Xavier de Brito.

Assim, não é improvável imaginar que, e ao pousar obrigatoriamente em Ouro Branco, esse artista tivesse acertado o seu primeiro trabalho em terras mineiras, entalhando retábulos para aquela matriz em obras…

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REFERÊNCIAS:

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Mourão, Paulo Kruger Correa, As igrejas setecentistas de Minas, Belo Horizonte: Itatiaia, 1986

Paróquia de Santo Antônio de Ouro Branco

 

 

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