Convento de Nossa Senhora do Carmo – Santos, São Paulo

Os carmelitas foram a quarta ordem religiosa a chegar no Brasil, e, na região paulista, os primeiros frades desembarcaram nos idos de 1592, no porto de Santos. Naquela vila, receberam uma capela como doação, da parte de José Adorno e sua esposa Catharina Monteiro, donos de um engenho na região. Pouco depois, o fundador de Santos, Braz Cubas, também se tornou um grande amigo dos carmelitas, e doou a eles o entorno do terreno no qual estava situada a capela, em conjunto com outras terras no planalto (onde seria fundado quase concomitantemente o Convento do Carmo de São Paulo).

Ao longo do século XVII o convento santista cresceu, embora o número de frades raramente tenha ultrapassado uma dúzia.

A maior parte do templo conforme se vê atualmente foi construída ao longo do período setecentista. Em 1752 foi edificada também a igreja da Ordem Terceira, adotando para tanto o mesmo modelo usado em São Paulo, pelo qual a mesma torre servia para as duas igrejas, separando-as.

No interior da igreja, chama a atenção a beleza do retábulo mor. Entalhado por volta de 1770, ele é obra do português Bartholomeu Teixeira Guimarães – esse mesmo artífice também foi o realizador dos retábulos da Igreja de Nossa Senhora da Candelária em Itu-SP, do retábulo do Senhor Morto na Basílica do Carmo, em São Paulo, e do retábulo mor da matriz de Nossa Senhora da Conceição em Viamão, no então longínquo Rio Grande do Sul.

Além dos altares laterais e das estalas em jacarandá, a igreja também possui algumas telas de Benedito Calixto, retratando os santos da ordem carmelita.

O Convento do Carmo de Santos passou por períodos difíceis, decorrentes de perseguições religiosas que ocorriam tanto nos domínios de Portugal quanto nos demais países europeus. Para agravar a situação, na época do império havia a proibição da aceitação de noviços. Com isso, chegou a ficar quase abandonado por várias décadas, e perdeu muito de seus móveis e alfaias, que foram redistribuídos para outros conventos.

Somente no início do século XX o convento começou a renascer, com a chegada de carmelitas holandeses. Houve a fundação de um colégio, que depois foi vendido para particulares. Atualmente a igreja permanece aberta, prosseguindo com suas atividades litúrgicas após mais de quatro séculos de fundação.

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REFERÊNCIAS:

– ROSADA, Mateus. Igrejas Paulistas da Colônia e do Império: Arquitetura e Ornamentação. 2016. Tese (Doutorado em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo) – Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2016. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102132/tde-30062016-112001/>. Acesso em: 2016-11-17.

Memória Santista

Convento do Carmo de Santos

 

 

 

 

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