Catedral de São Salvador do Mundo (Sé de Olinda) – Olinda, Pernambuco

A Sé de Olinda é uma das igrejas mais antigas do Brasil, tendo sido construída em 1537 a mando do donatário Duarte Coelho – um aventureiro que, após conseguir fazer uma pequena fortuna participando de expedições nas Índias, voltou para Portugal, onde se casou com Beatriz de Albuquerque e assumiu uma das capitanias hereditárias que o rei de Portugal havia instituído no Brasil (a esse respeito, ver também a história da Igreja de Nossa Senhora da Graça, na mesma cidade). Investindo a própria fortuna, veio com a família e mais uma grande comitiva, para se instalar na região onde atualmente é o estado de Pernambuco, onde fundou a vila de Olinda.

A principal igreja de Olinda foi dedicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador do Mundo, tendo sido edificada inicialmente em taipa, em um dos pontos mais elevados da povoação (com o intuito de facilitar a defesa em caso de invasões). Alguns anos depois, passou por uma grande reforma, que a deixou mais sólida e bela, de forma a que se tornasse a principal igreja da recém-criada Prelazia de Pernambuco (instituída por ordem do Papa Paulo V, em 15/07/1614).

Em 1630, ano em que Pernambuco sofreu a invasão da Companhia das Índias Ocidentais (Holanda), o templo foi quase inteiramente destruído, principalmente após o incêndio provocado pelos invasores (que eram de maioria protestante). Durante muitos anos, não foi mais do que uma ruína dominando o cume da cidade. Nesse período, ela foi retratada em diversas telas do pintor holandês Frans Post (abaixo).

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Ruínas da Sé de Olinda, Frans Post

Após a libertação de Pernambuco (1654) a igreja foi reconstruída, e em 1676, após o Papa Inocêncio XI criar o Bispado de Olinda, ela foi elevada à condição de catedral, ocasião em que teve edificada a sua segunda torre.

Essa vetusta construção passou por várias reformas ao longo dos tempos, algumas delas deixando-a quase  irreconhecível. No século XVIII, ela teve seu primitivo estilo maneirista reformulado para o barroco de então, com supressão de parte da segunda torre. Entre meados do século XIX e princípios do século XX, oscilou entre os estilos neogótico e neoclássico. Finalmente, houve uma reforma criteriosa nos anos 1970 que restituiu seu aspecto maneirista original, do século XVI.

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O seu interior possui três naves em estilo quinhentista, parecido com aquele encontrado no santuário de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa (Portugal). A capela mor é simples, e não há decoração antiga nela. Porém, as duas capelas laterais possuem retábulos em estilo barroco do século XVIII, em uma bela talha dourada, sendo que numa delas há um Cristo Crucificado em tamanho natural, e na outra o sacrário com o Santíssimo Sacramento.

Dentre os principais nomes que passaram pela história dessa igreja está o do Servo de Deus Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira (20º Bispo de Olinda, 1871-1878), um daqueles que não cedeu perante o Imperador Dom Pedro II durante a ‘Questão Religiosa’.

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Acima, a sacristia da catedral

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REFERÊNCIAS:

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958 Catecismo da Igreja Católica

– VAINSENCHER, Semira Adler. Sé de Olinda, PE. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>.

 

 

 

 

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