Igreja Matriz de Sant’Ana – Santana dos Montes, Minas Gerais

Em princípios do século XVIII – época que a região de Minas Gerais vivia o ‘Ciclo do Ouro’ – uma pequena povoação começou a surgir próxima ao Rio Piranga, e seus moradores tinham como principal atividade a agricultura e pecuária. Esse arraial ficou conhecido como ‘Morro do Chapéu‘, e dali saíam os mantimentos para as populações das cidades mineradoras do entorno – que, por terem muito minério nas montanhas, não tinham solo adequado para plantio. A Estrada Real, que ligava a região aurífera ao Rio de Janeiro, também passava pelo ‘Morro do Chapéu’.

É do ano de 1749 o registro da fundação da igreja atual, que foi dedicada a Santa Ana, a mãe da Virgem Maria e avó de Cristo – também conhecida pela forma abreviada ‘Sant’Ana’. No entanto, existiu uma capela anterior a ela, que fora edificada cerca de vinte anos antes, com materiais menos duráveis.

O histórico dessa igreja é detalhado no inventário, que assim descreve (Adriana Paiva de Assis, 2003):

As principais referências sobre a antiga Capela de Santana são os apontamentos de Cônego Raimundo Trindade e as citações de Pe. Armando Lima, dos apontamentos do Pe. José Duarte. Os moradores locais Antônio Duarte Correia e Manoel André Pinto teriam enviado, em 1729, uma petição pedindo uma Provisão de Licença para erigir uma capela dedicada a Santana, nas paragens do Morro do Chapéu. A capela provisória deve ter sido construída com materiais pouco duráveis. Anos depois, em 1739, obtém o privilégio de Pia Batismal. O primeiro batismo registrado é de 1740. Em 1749, com o sucesso da empreitada e da povoação, Antônio e André enviam nova petição para erigir uma Capela definitiva, doando em contrapartida o patrimônio de 70 alqueires de terra. Iniciada a construção definitiva, a Capela ficaria pronta em 1773, como assinala a pintura na tarja do arco-cruzeiro. A construção feita entre 1751 e 1773 refere-se, portanto à Capela mor da atual Igreja Matriz de Santana. Na segunda década do séc. XIX, foi iniciada a reforma e ampliação da primitiva Capela, com preservação de parte da capela-mor e a construção da nave-mor. A ampliação parece ter sido comandada pelo Capelão Francisco de Sousa Lima. No arco-cruzeiro existe uma tarja onde está inscrita a suposta data de conclusão das obras de ampliação: em 1812. Pelo relato de D. Frei José da Santíssima Trindade, em suas Visitas Pastorais em 1824, percebe-se que a Capela estava, em 1824, quase toda concluída como se apresenta hoje. Nessa época teriam sido encomendados o altar mor e os altares laterais. A pia batismal – que existe até hoje – já estava assentada no batistério da capela. Por essa época teriam sido encomendadas as principais pinturas dos forros da Capela-mor, da nave-mor e do nártex.  

Outras informações indicam que no ano de 1751 foi instituído um curato no local (a capela passou a ser servida por um padre, mas sem status de freguesia ou paróquia), e era filiada à então Matriz de Carijós (atual matriz de Conselheiro Lafaiete). Ela foi instituída canonicamente como freguesia somente em 1880.

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A igreja possui o estilo típico das capelas setecentistas daquela região, destacando-se os cunhais de cantaria. Possui um belo átrio, finalizado no século XIX, e uma pequena sineira em armação de madeira, também da mesma época.

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Acima, os três altares da igreja, e abaixo, a imagem de Sant’Ana ensinando sua filha, Maria.

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O interior da igreja possui belos painéis, na capela mor e no forro da nave central, e sobre a autoria essas pinturas há diferentes suposições. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira atribui a autoria delas ao artista Francisco Xavier Carneiro, contemporâneo de Manoel da Costa Ataíde. Já Paulo Krüger Correa Mourão, supõe que sejam de autoria do próprio Manoel da Costa Ataíde, principalmente a pintura da nave, que possui grande semelhança estilística com algumas pinturas desse artista.

Atualmente, a padroeira emprestou seu nome à cidade, que passou a se chamar ‘Santana dos Montes’.

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REFERÊNCIAS:

– MOURÃO, Paulo Krüger Correa, As igrejas setecentistas de Minas, Belo Horizonte: Itatiaia, 1986

ASSIS, Adriana Paiva de, Inventário de Proteção do Patrimônio Cultural de Santana dos Montes

 

 

 


 

 

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