Igreja de Nossa Senhora das Dores – Porto Alegre, Rio Grande do Sul

A devoção à Virgem Maria enquanto Mater Dolorosa (Nossa Senhora das Dores) se iniciou no século XIII, na Alemanha, quando os fiéis consideraram especialmente os diversos sofrimentos pelos quais Ela passou ao longo de sua vida terrestre, principalmente nos momentos da Paixão de seu Filho Jesus.

Em Porto Alegre, essa devoção remonta aos primórdios da cidade, quando a Irmandade de Nossa Senhora das Dores realizava seus ofícios e orações junto à igreja matriz. E foi no ano de 1807 que a referida irmandade obteve um terreno próximo às margens do Rio Guaíba, sendo que, no mesmo ano, depositaram ali a pedra fundamental para a futura igreja. Entretanto, diversos fatores – incluindo os inúmeros conflitos ocorridos na província gaúcha – atrasaram o andamento das obras, fazendo com que levasse exatamente 96 anos para que o templo fosse concluído.

Quando, em 1820, o naturalista francês Auguste de Sainte-Hilaire visitou o local, apenas a capela mor estava pronta, motivo pelo qual o autor a menciona apenas de passagem em seu diário.

As obras eram levadas a cabo mediante doações e esmolas, tanto de dinheiro quanto de materiais. Com a Revolução Farroupilha, as obras foram paralisadas totalmente, somente sendo retomadas após 1850. Nessa época, foi construído um hospital ao lado da igreja, sob a coordenação da irmandade.

À medida que as décadas se passavam, o gosto artístico foi se alterando, e parte do projeto da igreja acabou sendo modificado em relação ao risco original. Mesmo assim, o interior guardou o espírito do barroco, ao receber altares talhados por João do Couto e Silva, que trabalhara praticamente sozinho durante vários anos. No ano de 1866 o corpo da igreja foi inaugurado, e em 1871 foram trazidos da cidade do Porto (Portugal), por intermédio do Capitão-de-Mar-e-Guerra Manuel de Oliveira Paes, as imagens de Cristo para os altares laterais.

A última etapa da construção ocorreu a partir do ano de 1899, quando a obra foi confiada a Julio Weiss, um arquiteto germânico que havia se disponibilizado a finalizar, de forma gratuita, a inacabada igreja. Nessa ocasião, ele redesenhou o traçado das torres, aumentando-as em dez metros, mas cuidando para que não houvesse desarmonia no conjunto. E assim, no ano de 1903, foi enfim terminada essa que é considerada uma das mais belas e imponentes igrejas do Rio Grande do Sul.

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Quando da chegada das imagens sacras de Portugal (1871), um diário da cidade assim escreveu:

“As imagens representam a sagrada Paixão de Cristo em suas primeiras fases ou estações, isto é, desde que começou pela agonia e oração do Senhor no Horto, até a em que, depois de julgado e condenado por Pilatos, segue com a cruz até o patíbulo. Com a última estação, colocada no altar mor e representando o Crucificado no Calvário, completam-se as sete estações ou passos da dolorosa Paixão de Cristo.”

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REFERÊNCIAS:

 

– Damasceno, Athos, Artes Plásticas no Rio Grande do Sul (1755-1900). Porto Alegre:Editora Globo, 1971

– www.igrejadasdores.org.br

 

 

 

 

 

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