Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia – Olinda, Pernambuco

A instituição denominada ‘Santa Casa de Misericórdia’ surgiu em Lisboa, no ano de 1492, sob o patrocínio da rainha Dona Leonor de Avis e supervisão de um frade que era seu confessor, chamado Frei Miguel Contreiras. O objetivo da Santa Casa era assistir os doentes, idosos, ajudar pobres e também acolher recém-nascidos que fossem abandonados pelos pais.

No Brasil, a primeira Santa Casa de Misericórdia foi erigida em Olinda, no ano de 1539, por determinação da coroa portuguesa. Situada no ponto mais elevado da cidade, o hospital recebeu também uma igreja, que seria dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia.

O conjunto foi arruinado durante a invasão holandesa de 1630. Segundo relatos da época, os mercenários batavos – em sua maioria adeptos do protestantismo calvinista – à medida que se apoderavam de Olinda, “iam se entregando a toda a sorte de pilhagem e profanação nas igrejas, onde destruíam paramentos, profanavam imagens e entregavam-se a bebedeiras utilizando os vasos sagrados” (1). Nessa ocasião, Matias de Albuquerque (governador da capitania) destacou duas companhias para defender a região mais alta da cidade. O capitão de uma dessas companhias, André Pereira Temudo, posicionou-se com seus homens junto à igreja da Misericórdia, e, já consciente das profanações que os inimigos pretendiam fazer ali, opôs uma vigorosa resistência em defesa do local sagrado. Porém, por estar em grande inferioridade numérica, esse pequeno e destemido grupo acabou sendo eliminado pelos invasores. Esse feito foi depois relembrado por todos os pernambucanos como um exemplo de despretensão, coragem e amor à fé católica.

Alguns anos depois, o hospital foi parcialmente restaurado por Maurício de Nassau. No entanto, somente seria totalmente restabelecido em 1654, quando Pernambuco foi inteiramente retomado pelas tropas luso-brasileiras e a irmandade pôde retomar suas atividades.

No século XVIII a igreja da Misericórdia passou por várias reformas, a primeira delas ocorrendo em 1707 e a última em 1771, quando foi acrescentada a bela talha do arco cruzeiro. Também na mesma centúria foi realizada a decoração do teto, que é feito com diversos medalhões contendo pinturas sobre a vida da Virgem Maria.
santa casa de olinda

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Abaixo, placa em memória ao capitão André Pereira Temudo e seus soldados.

temudo

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(1) SANTIAGO, Diogo Lopes de, História da Guerra de Pernambuco e feitos memoráveis do mestre de campo João Fernandes Vieira (1634), Recife: FUNDARPE, 1984, p. 34

 

 

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REFERÊNCIAS:

– BARBOSA, Antonio. Relíquias de Pernambuco: guia aos monumentos históricos de Olinda e Recife. São Paulo: Ed. Fundo Educativo Brasileiro, 1983

– BAZIN, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– CALADO, Manuel. O Valeroso Lucideno (2 v.). Belo Horizonte: Itatiaia 1987. (Coleção Reconquista do Brasil)

– SANTIAGO, Diogo Lopes de, História da Guerra de Pernambuco e feitos memoráveis do mestre de campo João Fernandes Vieira (1634), Recife: FUNDARPE, 1984

– VAINSENCHER, Semira Adler. Igreja e Hospital da Misericórdia (Olinda, PE). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

 

 

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