Santuário do Senhor do Bonfim – Salvador, Bahia

A devoção ao Senhor Bom Jesus do Bonfim – que se baseia numa representação de Cristo crucificado – se originou em terras lusitanas, mais especialmente quando o príncipe Dom João (futuro Dom João V) fez diversas promessas, em uma capela localizada em Setúbal, pedindo pelo restabelecimento da saúde de seu pai, o rei Dom Pedro II de Portugal.

A devoção ganhou força entre as pessoas, e, anos depois, durante uma grande tempestade marítima, um capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa, chamado Theodózio Rodrigues de Faria, fez também uma oração ao crucificado, pela qual prometeu trazer a devoção do Senhor do Bonfim ao Brasil, caso conseguisse sair vivo daquela situação.

Ele conseguiu sobreviver, e, no ano de 1745, trouxe de Portugal uma réplica da imagem venerada em Setúbal. Primeiramente, entronizou-a na igreja de Nossa Senhora da Penha em Itapagipe, ao mesmo tempo em que, juntamente com várias outras pessoas, começou a empreender a construção de uma igreja própria.

Os registros indicam que o templo começou a ser construído em 1746, e a primeira fase das obras foram terminadas em 1772. Ao longo do século XIX o santuário recebeu diversas modificações, motivadas principalmente pela necessidade de maior espaço para os fiéis, que acorriam em número cada vez maior. Assim, foram abertas mais portas e acrescentados corredores laterais.

A talha dos altares é em estilo neoclássico, e a capela-mor foi talhada por Antônio Joaquim, no ano de 1814. Em 1816, a igreja recebeu a decoração das tribunas, do arco cruzeiro, e também dos altares laterais – que foram entalhados pelo alferes Antônio de Sousa Santa Rosa.

As torres foram terminadas somente após 1850.

Igreja do Bonfim e seu entorno, em fotografia de 1859

Igreja do Bonfim e seu entorno, em gravura de 1859

Desde 1773 a festa litúrgica do Senhor do Bonfim passou a ser celebrada no segundo domingo de janeiro, e é também nessa data que começou a tradição da ‘lavagem’ da igreja – um fato que se originou quando os membros da irmandade mandaram seus escravos limparem a igreja para festa.

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Abaixo, a pintura no forro da nave retrata o histórico da devoção ao Senhor Bom Jesus do Bonfim.

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A igreja também é ornamentada por muitas telas que retratam cenas dos Evangelhos e da vida religiosa.

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morte do pecador

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As fitinhas do Senhor do Bonfim surgiram de forma espontânea no ano de 1809, e eram chamadas originalmente de ‘medidas’, por terem o mesmo comprimento de um dos braços da imagem do Crucificado. Usar uma dessas ‘medidas’ equivalia, portanto, a estar abraçado e protegido pelo Bom Jesus do Bonfim.

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senhor do bonfim fita

Desde esses tempos antigos, a igreja do Bonfim é um santuário profundamente representativo da fé dos baianos, e os inúmeros ex-votos mantidos no local são uma testemunha permanente das graças ali alcançadas.

igreja bonfim salvador

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REFERÊNCIAS:

– Alves, Marieta. Pequeno Guia das Igrejas da Bahia: X – A igreja do Bonfim. Prefeitura da cidade de Salvador, 1952

– Bazin, German. L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

www.santuariodobonfim.com

 

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