Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte – Limeira, São Paulo

Em 1856 – época do ciclo do café – moradores da cidade paulista de Limeira constituíram a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, com o intuito de desenvolver diversas atividades espirituais e de caridade. O título ‘Nossa Senhora da Boa Morte’ recorda aquilo que a fé católica chama de dormição de Maria – ocasião em que a Mãe de Jesus, após completar sua idade terrestre, deixou essa vida sem o sofrimento causado pelo pecado original (em decorrência da sua Imaculada Conceição), sendo em seguida levada ao Céu pelos anjos (assunção).

Dois anos após a constituição da irmandade (e futura confraria), foram iniciadas as obras para construção da igreja dedicada à sua padroeira.

O traçado inicial foi elaborado por Francisco José de Araújo Silva, membro da câmara municipal e que provavelmente era um confrade. No entanto, após algum tempo as obras não prosseguiram por falta de recursos. Foi então que o Barão de Campinas passou a financiar a construção, para a qual contratou o arquiteto e entalhador italiano Aurélio Civatti, e cedeu, também, escravos de sua fazenda para ajudarem nas obras. O templo seguiria um traçado de estilo neoclássico, muito embora a fachada tenha sido alterada em 1893, o que deixou a igreja com um aspecto mais eclético.

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Para a decoração do interior da igreja – que seguiria o estilo das igrejas portuguesas – foram chamados entalhadores que trabalhavam na construção da catedral de Campinas, e que, por sua vez, eram oriundos da Bahia e do Rio de Janeiro. Como consequência, a igreja possui seus dois altares laterais com um traçado muito parecido aquele encontrado em algumas igrejas de interior neoclássico da região de Salvador.

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Entre 1925 e 1931, o pintor italiano Angelo Perillo revestiu o interior da igreja com a bela pintura decorativa que pode ser vista atualmente.

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Essa igreja foi visitada por Dom Pedro II quando de sua viagem ao interior paulista, e, em diversas ocasiões, foi cedida pela confraria para atender as mais diversas necessidades do local – abrigou a paróquia matriz da cidade por algum tempo, e também chegou a ser utilizada como hospital de emergência durante um surto de febre amarela em 1892. E já no início do século XX, em uma de suas dependências, funcionou uma pequena escola de ensino fundamental dirigida pela confraria.

Essa igreja, uma das mais bonitas do interior paulista, permanece como um dos mais belos exemplos de convivência harmônica entre os estilos decorativos de influência portuguesa e italiana.

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Acima, o coro da igreja, e abaixo a capela lateral – que provavelmente foi construída para guardar o Santíssimo Sacramento, mas que atualmente é dedicada a Nossa Senhora Aparecida.

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REFERÊNCIAS:

 

AUGUSTI, Valquíria Maria; BOSCHIERO, Daniela; RUY, Daniele Poletti. A festa e a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção: patrimônios a serem preservados

-ROSADA, Mateus; BORTOLUCCI, Maria Angela Pereira e Silva. A igreja da Boa Morte de Limeira: um amálgama de conhecimentos forâneos. Disponível em <http://www.unicamp.br/chaa/eha/atas/2013/Mateus%20Rosada.pdf&gt;

– ROSADA, Mateus. Igrejas Paulistas da Colônia e do Império: Arquitetura e Ornamentação. 2016. Tese (Doutorado em Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo) – Instituto de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2016. Disponível em: Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102132/tde-30062016-112001/pt-br.php&gt;

 

 

 

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