Matriz de São João Batista – Barão de Cocais, Minas Gerais

No início do século XVIII, quando Minas Gerais começava a receber aventureiros em busca de ouro e outros minerais preciosos, surgiu um pequeno povoamento a algumas léguas ao norte de Mariana, denominado “São João Batista do Morro Grande” – nome decorrente do orago de uma pequena capela, em taipa de pilão, construída à beira de um rio onde se lavrava ouro.

A primitiva vila cresceu, e em 1752 foi instituída uma paróquia para conduzir os ofícios religiosos. Após sete anos de atividades, os moradores decidiram construir uma matriz de maiores proporções, com mais dignidade para as cerimônias.

Seguindo o costume de diversas vilas da região, a principal responsável por angariar fundos e coordenar as obras foi a irmandade do Santíssimo Sacramento.

Ao que parece, a planta dessa obra veio de Lisboa, no ano de 1762. No entanto, o desenho não agradou inteiramente os responsáveis, que decidiram fazer modificações no risco da igreja – com base na planta original, um segundo traçado foi encomendado a um artista que já se tornava conhecido por seu talento: Antônio Francisco Lisboa, o ‘Aleijadinho’.

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Assim, ao que tudo indica, o projeto definitivo dessa matriz foi realizado pelo célebre artista mineiro. É possível notar diversas características de seu estilo na fachada da igreja, principalmente na posição das torres – que, além de terem sineiras cilíndricas, possuem bases dispostas em diagonal em relação à igreja, produzindo uma suavização que também seria adotada pelo Aleijadinho em outros projetos. Dessa forma, a matriz de São João Batista é tida como o seu primeiro projeto arquitetônico.

German Bazin, em seu estudo sobre as igrejas brasileiras, levanta a hipótese de terem havido duas etapas na construção desse templo: isso porque a primeira metade da fachada e torres possuem um acabamento mais bem elaborado e revestido de pedras, ao passo que a metade superior das torres e o frontão são mais modestos, fazendo supor terem sido feitos em uma época em que os recursos já escasseavam. No entanto, quaisquer que sejam as hipóteses, sabe-se que o desenho de Aleijadinho foi mantido em toda a igreja, independente do material utilizado.

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Sobre o belo conjunto em pedra-sabão que ornamenta a fachada, não existem documentos a comprovar a autoria. Mas, segundo Lúcio Costa, é possível identificar a ‘caligrafia’ de Aleijadinho em todo o conjunto. Atualmente, é dado como certo que o portal e a belíssima imagem de São João Batista são de fato obras desse excepcional artista mineiro.

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No interior, a elaboração do monumental arco cruzeiro (em pedra sabão) é também atribuída ao mestre escultor. No seu ápice, um medalhão retrata um ostensório, símbolo da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

A pintura do teto, por sua vez, teria sido realizada por Manuel da Costa Ataíde – o ‘Mestre Ataíde’.

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Há ainda belos retábulos laterais folheados a ouro. Considerando o seu posicionamento elevado, sobre bases com um estilo mais simples, pode-se supor que pertenceram à antiga igreja, de proporções menores, e que foram posteriormente adaptados para o tamanho da nova matriz.

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Acima, altar de Santo Antônio, e abaixo, de Nossa Senhora do Carmo.

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Outra singularidade nessa matriz é a sua ampla capela-mor: de formato circular, foi edificada em época posterior ao restante do edifício, e possui um altar mor com uma talha mais singela do que a dos altares laterais. Devido às suas amplas janelas, é o local com mais claridade no interior da igreja.

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Altar da capela do Santíssimo Sacramento

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A localidade de ‘Morro Grande’ foi emancipada em 1943, e recebeu o nome de Barão de Cocais. A imponente igreja matriz foi elevada à condição de Santuário, e pertence à diocese de Mariana, a mais antiga de Minas Gerais.

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REFERÊNCIAS:

 

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Mourão, Paulo Kruger Correa, As igrejas setecentistas de Minas, Belo Horizonte: Itatiaia, 1986

– Saint-Hilaire, Auguste de, 1779-853, Viagem pelo Distrito dos Diamantes e litoral do Brasil; tradução de Leonam de Azeredo Penna, 2ª Ed., Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 2004

Site da paróquia

As Minas Gerais

Barão de Cocais

 

 

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