Igreja da Ordem Terceira do Carmo – Cachoeira, Bahia

A cidade histórica de Cachoeira situa-se às margens do Rio Paraguaçu, no recôncavo Baiano, e teria sido fundada no século XVI por Diogo Álvares Correia, o Caramuru.  Chamando-se “Vila de Nossa Senhora do Rosário“, não tardou a crescer, dada a sua posição privilegiada no entroncamento de importantes rotas que se dirigiam ao sertão baiano, ao Recôncavo, às Minas Gerais ou a Salvador. No ano de 1698, passou a chamar-se “Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu“, por se situar próxima às quedas d’água presentes na cabeceira do aludido rio.

Ainda no século XVII, existiu um engenho pertencente a João Rodrigues Adorno, um dos povoadores do local. No ano de 1688, um terreno próximo ao Morro da Mangabeira, pertencente ao antigo engenho, foi doado para os carmelitas, com o intuito de que ali fizessem um convento.

A obra foi conduzida sem demora. No entanto, a construção atual é um pouco posterior, de meados do século XVIII. A fachada da igreja conventual apresenta uma galilé (um alpendre entre a rua e os portais da igreja) com cinco arcos, que talvez seja influência do estilo franciscano, que possui belos conventos na região.

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Na fachada da igreja conventual, há um conjunto de frontões em estilo rococó flamejante, nos quais o historiador francês German Bazin identifica influências da arquitetura chinesa (na época Portugal possuía várias bases no Oriente, incluindo Macau).

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Durante o século XIX, quando, por questões políticas, a ordem primeira carmelita (dos frades) esteve quase extinta no Brasil, o convento foi utilizado como quartel, escola, hospital, câmara, tribunal e até casa da moeda, época durante a qual quase todo o seu acervo artístico se perdeu, restando apenas os azulejos e a decoração da sacristia.

Assim, apenas a beleza externa do templo restou como testemunha intocada do passado. Porém, a Ordem Terceira nunca teve suas atividades interrompidas, e bem ao lado do antigo convento ela preservou até os dias de hoje uma das igrejas mais belas da Bahia.

 

A CAPELA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO

A Ordem Terceira do Carmo foi fundada em Cachoeira no ano de 1691, sendo praticamente contemporânea ao convento. Embora pudessem realizar seus ofícios religiosos na igreja conventual, nos primeiros anos do século XVIII os irmãos terceiros decidiram construir uma capela e dependências próprias, ao lado do convento.

A chamada ‘Casa de Oração’ dos irmãos terceiros possui um frontispício com duas galerias superpostas, do tipo “loggia“, que confere ao conjunto uma beleza especial.

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Mas é no interior que se revela a extraordinária beleza da capela. É inteiramente revestida de talha dourada, e também de belos azulejos portugueses.

A capela-mor e o arco-cruzeiro seguem a variante barroca chamado ‘Dom João V’, e os altares laterais, bem como o coro, seguem uma transição do barroco para o rococó. Não há menção sobre quais seriam os artistas responsáveis pela execução desses belíssimos altares e talhas. O que se sabe é que em 1778 a igreja estava praticamente terminada.

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Acima, figura de um pelicano alimentando os filhotes, símbolo de Cristo.

Os azulejos representam diversas cenas, incluindo passagens do Antigo Testamento – no caso abaixo, Josué e a batalha contra os amorreus (Josué 10:12-14).

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O teto possui diversas pinturas representando a espiritualidade carmelita, com diversos santos pertencentes à ordem.

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Ao lado da capela, há um pequeno cemitério, onde eram sepultados os membros da Ordem Terceira. Nele há diversas campas de madeira, com pinturas antigas contendo reflexões a respeito da morte e eternidade.

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Como conclusão, fica claro que, na cidade baiana de Cachoeira, encontra-se um dos mais belos conjuntos carmelitas do Brasil, e certamente uma das mais notáveis igrejas barrocas de todo o território nacional.

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REFERÊNCIAS

 

  • Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Paris: Librairie Plon, 1958
  • Tirapeli, Percival. Igrejas Barrocas do Brasil, São Paulo: Metalivros, 2008
  • sobre a Ordem Terceira do Carmo – Varaltour
  • IPHAN
  • Património de Influência Portuguesa (www.hpip.org)

 

 

 

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