Matriz de Nossa Senhora do Pilar – Nova Lima, Minas Gerais

Apesar do templo atual ter sido erigido entre fins do século XIX e início do século XX, a freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Nova Lima existe desde muito antes, tendo sido instituída pelo bispado de Mariana em 1748.

No entanto, pode-se dizer que uma parte da história dessa igreja começa em outro local – mais precisamente em 1783, várias léguas ao norte de Nova Lima, na Fazenda Jaguara. Nessa grande fazenda, havia uma capela que estava em ruínas, e em determinado momento um de seus  proprietários se empenhou em substituí-la por um templo mais digno, onde se pudessem realizar os ofícios religiosos e sepultamento dos falecidos.

Para decorar o interior da nova igreja (que seria dedicada a Nossa Senhora da Conceição), foi contratado ninguém menos que o melhor artista da época – Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Segundo historiadores, o mais provável é que os retábulos e púlpitos da Capela da Jaguara tenham sido talhados na própria oficina do artista em Ouro Preto, na mesma época em que também estava sendo construída a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, considerada uma das mais belas e originais do Brasil. No entanto, também há autores que acreditam que os altares tenham sido feitos na época em que Aleijadinho decorou a Igreja do Carmo, em Sabará.

Fazenda Jaguara no século XIX

Durante várias décadas a capela da Fazenda Jaguara serviu como referência para os moradores do local, bem como de seus arredores. Mas, ao longo do século XIX, os proprietários foram se sucedendo, trabalhadores se mudaram para outros locais mais prósperos, e os escravos ganharam a liberdade – e com isso a capela foi aos poucos sendo relegada ao abandono.

No início do século XX, um inglês – George Chalmers, diretor da Mina de Morro Velho, e de religião protestante – comprou a fazenda Jaguara, e, como não tinha interesse em manter o culto católico na capela, decidiu fechá-la definitivamente. Mas, reconhecendo o valor artístico dos altares, quis doá-los para outra igreja.

Assim, o esplêndido conjunto foi encaminhado a Nova Lima, que, na época, tinha acabado de reconstruir sua igreja matriz. As peças, depois de desmontadas, numeradas e encaixotadas, foram levadas a cavalo até uma estação ferroviária, para depois serem transportadas para Nova Lima. Ali, foram necessárias algumas reformas para que coubessem os retábulos, e, no ano de 1926, estes foram uma vez mais, e definitivamente, consagrados ao culto divino.

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Ao contrário da maioria dos retábulos e púlpitos barrocos, estes não possuem pintura nem douramento, mantendo a coloração natural do cedro.

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Acima, a capela do Santíssimo. A balaustrada de jacarandá é idêntica a outra que se encontra na Matriz de Sabará (clique aqui para ver).

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REFERÊNCIAS:

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Mourão, Paulo Kruger Correa, As igrejas setecentistas de Minas, Belo Horizonte: Itatiaia, 1986

 

Links e notícias relacionadas:

História da Fazenda Jaguara – Sumidoiro’s Blog

Paróquia Nossa Senhora do Pilar

Sobre as ruínas da capela da fazenda Jaguara

Dados do IPHAN

 

Colecionadores devolvem peças da antiga capela da Fazenda Jaguara

Sobre os altares da Fazenda Jaguara

 

 

 

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