Igreja de Santa Cruz dos Militares – Rio de Janeiro – RJ

No ano de 1623, no mesmo local onde atualmente se encontra a igreja, havia um pequeno forte chamado ‘Santa Cruz’. Esse reduto de defesa da cidade foi se deteriorando com o passar dos anos, e os soldados da guarnição aproveitaram o local para construir uma capela, onde pudessem fazer reuniões, realizar cerimônias, rezar, e também sepultar seus pares. Com isso, surgiu a confraria dos militares, que recebeu a nomenclatura de ‘Irmandade da Santa Cruz’. Além das atividades na capela, a irmandade também dava apoio a familiares de militares que se ausentavam ou pereciam em missão. No século XVII, a capela da Santa Cruz serviu provisoriamente como sé do Rio de Janeiro (ou seja, foi a catedral da cidade).

Por volta de 1770, a confraria resolveu construir uma igreja mais ampla. Foi então feito um novo templo, com interior em estilo barroco e neoclássico, e exterior inspirado em modelos europeus, principalmente na Basílica dos Mártires, em Lisboa. Seu arquiteto foi um brigadeiro (na época era o título um comandante de brigada), chamado José Custódio de Sá, que era engenheiro militar. O interior da igreja foi esculpido pelo Mestre Valentim, o célebre mulato nascido em Minas Gerais que deixou diversas obras esculpidas no Rio. Os motivos de decoração na igreja foram todos baseados na Paixão e Morte de Cristo, juntamente com símbolos militares.

No ano de 1840 a igreja sofreu um incêndio, e uma parte desse belo trabalho se perdeu. Foram feitos alguns reparos, e, no início do século XX, novamente a igreja foi danificada pelo fogo. Mas, dessa vez, o altar principal foi refeito, com base no desenho original, que felizmente fora registrado em fotografias.

Ao longo de sua história, essa igreja foi frequentada pelos maiores nomes da história militar brasileira, muitos deles membros da Irmandade da Santa Cruz. Dentre estes destacam-se o General Osório, o Duque de Caxias e o próprio imperador Dom Pedro I.

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A torre da igreja não fica junto à fachada, e sim nos fundos, junto à Rua do Ouvidor

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Símbolos da Paixão de Cristo (lanças e estandartes romanos, escada usada para crucifixão, etc)

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Cruzes das Ordens Militares que tinham bases em Portugal. Da esquerda para a direita: Cruz da Ordem Militar de Avis, Cruz da Ordem de Cristo, e Cruz da Ordem de Santiago.

 

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Medalhas militares representadas na decoração.

 

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Brasão real português, juntamente com armas de batalha

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Em um corredor lateral há várias menções honrosas a oficiais que fizeram parte da irmandade

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REFERÊNCIAS:

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– CARVALHO, Benjamin de, Igrejas Barrocas do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S.A., 1966

– Dornelles Facó, Anne (coord.), Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Especial de Projetos Especiais, 1997

 

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