Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio – Itu, São Paulo

A Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio teve sua construção iniciada no início do século XIX, e sua existência está ligada à memória de duas personalidades de grande renome: o Padre Jesuíno do Monte Carmelo e, anos depois, a Venerável Maria Teodora Voiron.

Jesuíno Francisco de Paula Gusmão, nascido no litoral paulista, era um artista extremamente versátil: pintor, escultor, arquiteto, entalhador, dourador, meste em torêutica (trabalhos de cinzelagem e entalhe em metais e madeira), poeta e também compositor.  Era mulato, filho e neto de escrava. Tinha parentesco com o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, conhecido como o “Padre Voador”. No final do século XVIII, Jesuíno já havia participado do embelezamento do Convento do Carmo, em Santos, quando então mudou-se para a cidade de Itu, onde passou a decorar as igrejas do local. Após ficar viúvo, ordenou-se sacerdote carmelita, e adotou o nome de Jesuíno do Monte Carmelo. Foi nessa época que passou a empreender a construção da igreja dedicada a Nossa Senhora do Patrocínio.

Em uma viagem ao Rio de Janeiro, obteve uma doação de Dom João VI para o templo, e  passou a dedicar-se à construção como arquiteto e mestre de obras. Na verdade, não se tratava só de construir uma igreja, mas também de constituir uma irmandade. Como se tornou sacerdote após se enviuvar, ele possuía filhos, que também eram padres: padre Simão Stock, padre Elias, e padre Eliseu do Monte Carmelo. Todos ajudaram o pai na construção da igreja, nas pinturas e esculturas. A imagem de Nossa Senhora do Patrocínio e todos os anjos do altar-mor e do púlpito foram feitas pelo padre Eliseu.

A igreja, apesar de ter traços de barroco e neoclássico, não pode ser classificada em nenhum desses estilos, e é considerada uma das mais originais do Brasil.

Em 1818, o padre Diogo Antonio Feijó – o famoso Regente Feijó – mudou-se para Itu e foi residir com Jesuíno e seus filhos. Movidos por uma espiritualidade carmelita, os chamados “padres do Patrocínio”, não eram propriamente uma ordem ou congregação religiosa, mas viviam em forma de confraria, com práticas e devoções comunitárias.

O padre Jesuíno faleceu em 1819, e no ano seguinte a igreja foi concluída.

Madre Maria Teodora Voiron

Alguns anos depois, a igreja foi cedida para a Congregação das Irmãs de São José, originária da França. Como essas irmãs tinham como vocação promover a educação de meninas, logo iniciou-se a construção de um colégio junto à igreja do Patrocínio.  Foi o primeiro colégio de freiras destinado a meninas e moças no estado de São Paulo. Uma das primeiras irmãs que chegaram ao local chamava-se Maria Teodora Voiron, nascida em Chambery, França.  Madre Maria Teodora não entendia a escravidão no Brasil, e querendo quebrar as barreiras da época, realizou uma façanha ao abrir uma escola gratuita, no próprio Patrocínio, para as meninas escravas. Cuidou também da formação religiosa das escravas adultas.

No ano de 1894, as irmãs promoveram uma reforma e remodelamento da fachada, quando foram construídas as torres atuais. Embora seja uma alteração posterior, não está desarmônica com o estilo do padre Jesuíno – inclusive, percebe-se que os traços da fachada são parecidos com o desenho do altar-mor.

No tocante à Madre Teodora, esta teve vida longa, e durante 62 anos esteve à frente das obras das Irmãs de São José no Brasil, como superiora e Provincial – era extremamente querida pelas demais irmãs, que sempre a queriam ter como mestra. Abraçou numerosas obras de caridade como orfanatos, asilos, hospitais, leprosários, escolas para meninas pobres. Aos 85 anos teve o fêmur fraturado em conseqüência de uma queda que a colocou em uma cadeira de rodas. Mas mesmo assim, não deixou de participar dos atos religiosos de seu cotidiano. No ano seguinte, em 1921, pediu e obteve demissão do cargo de Provincial. Faleceu, em 17 de julho de 1925, com 90 anos. Seus restos mortais encontram-se sepultados no interior da Igreja do Patrocínio, onde é visitado por milhares de pessoas. Atualmente, encontra-se em processo de beatificação.

 

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Altar-mor

 

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Representação da Igreja Católica, a ‘barca’ de São Pedro

 

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quadro

 

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REFERÊNCIAS:

– Tirapeli, Percival. Igrejas paulistas: barroco e rococó, Editora UNESP, 2003

Enciclopédia Itaú Cultural  

Brasil Artes Enciclopedias

Madre Maria Teodora Voiron – Site Oficial

 

 

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