Matriz de Nossa Senhora da Purificação (1871) – Bom Princípio, Rio Grande do Sul

Logo após a independência do Brasil em relação a Portugal, o novo governo imperial se viu diante da necessidade de aumentar a população de terras situadas mais ao sul do país – uma região que já tinha sido palco de diversos conflitos com os vizinhos espanhóis, e que demandava uma maior presença de pessoas. Como a independência havia acabado de ocorrer, a possibilidade de trazer mais portugueses naquele momento foi descartada. Então, a solução encontrada foi promover a imigração de colonos de outros países. Assim, no ano de 1824 os primeiros colonos alemães chegavam ao Rio Grande do Sul.

Nessa primeira leva de imigrantes, chegou à região a família Winter, originária da pequena Klüsserath, situada às margens do Mosel, perto de Trier, Alemanha.  Um dos membros dessa família, Guilherme, chegou a participar da Guerra dos Farrapos, e, por volta de 1850, instalou-se definitivamente em terras que adquirira na região do Vale do Rio Caí.

A colônia local foi oficializada pelo Império em 1859, e, para que tal ocorresse, vários compromissos foram assumidos perante o governo central – dentre estes, havia a garantia de exclusividade da religião católica, além da obrigatoriedade dos estudantes locais serem educados com fluência em língua portuguesa. Dessa forma, o povoado foi uma das poucas colônias alemãs no Brasil que não recebeu templos luteranos. Popularmente chamado de Winterschneiss, o vilarejo recebeu posteriormente o nome de ‘Bom Princípio’.

A igreja matriz, em estilo neogótico, teve sua construção iniciada em 1871, e foi dedicada à Nossa Senhora da Purificação – invocação que relembra os fatos narrados pelo Evangelista São Lucas, no capítulo 2, versículos 21-40 de seu livro. As paredes do templo foram feitas de pedra, sendo que o corpo e a torre foram concluídos antes de 1893. Os altares foram esculpidos em madeira pelo artesão Miguel Flach, e as vidraças das janelas foram importadas da Boêmia (atual República Tcheca). No ano de 1898, o templo foi solenemente consagrado ao culto divino pelo bispo de Porto Alegre. Entre 1908 e 1910, o artista Ferdinand Schlatter (natural de Lindau, Alemanha) embelezou o interior da igreja com pinturas retratando cenas bíblicas, seguindo o estilo neogótico germânico. Junto às pinturas, há trechos bíblicos, reproduzidos na língua alemã. Depois de terminada a igreja, ainda na década de 1929, chegou da Alemanha um órgão de tubos, destinado a embelezar as celebrações litúrgicas.

A Matriz de Bom Princípio constitui um verdadeiro patrimônio espiritual da imigração alemã, e, cientes desse significado, os habitantes da cidade vem promovendo diversas obras de restauração e conservação da igreja nos últimos anos.

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No teto do altar-mor, cenas da Paixão de Cristo

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Pintura representando a Anunciação do Arcanjo São Gabriel a Maria

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Pintura de Cristo Rei, tendo de um lado a Virgem Maria, e de outro São João Batista. Abaixo, a cruz, símbolo da Redenção, e dois anjos que seguram livros com dizeres que definem o destino final da humanidade: à esquerda, os que viveram conforme o espírito (Gálatas 3, 22), e à direita, os que agiram conforme a carne (Gálatas 5, 19).

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Teto da igreja, com inscrições do Evangelho no idioma alemão

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Coroação de Maria

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Nas pinturas, também foram inseridas pessoas e paisagens que remetem aos primeiros anos da imigração germânica

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Pintura representando a apresentação do Menino Jesus no Templo. À esquerda, a profetiza Ana; ao centro Simeão com o Menino; e à direita a Virgem Maria. Integrando a cena, também foi representada uma jovem com um traje típico das camponesas alemãs do século XIX.

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Oratório do Calvário, situado no jardim da igreja

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REFERÊNCIAS

http://www.imigracaoalema.com

– www2.brasilalemanha.com.br

Histórias do Vale do Caí

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Um comentário sobre “Matriz de Nossa Senhora da Purificação (1871) – Bom Princípio, Rio Grande do Sul

  1. Eu acredito que não há um único neto da família de jacob Aloísio Heck que não tenha assistido em um dia de sua vida uma missa nesta igreja.
    Estão de parabéns todos aqueles que de uma ou de outra forma participaram da restauração.

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