Igreja da Ordem Terceira do Carmo – Rio de Janeiro – RJ

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi fundada no Rio de Janeiro em 1648, pelos leigos Balthazar de Castilho de Andrade, André da Rosa, e Francisco Nunes, e pelos freis Antônio dos Anjos e Ignácio da Purificação. Dedicada a pessoas da vida comum, e visando à busca da perfeição cristã sob o carisma carmelitano, a ordem adotou como objetivos, além da difusão do culto a Nossa Senhora do Carmo, a propagação da fé católica e o exercício da caridade (mais detalhes sobre os terciários carmelitas no texto sobre a Igreja da O. Terceira do Carmo de Salvador).

Durante muitos anos, as atividades da ordem terceira ocorreram dentro da igreja conventual do Carmo (dos religiosos de vida consagrada), que, na época, era a antiga Igreja de Nossa Senhora do Ó (posteriormente demolida). No entanto, com o passar dos anos, o número de membros foi crescendo, surgindo a necessidade de se fazer uma igreja própria.

Conforme o costume da época, a igreja dos irmãos terceiros era construída próxima, ou mesmo ao lado, das igrejas conventuais. Assim, após terem obtido a doação de um terreno exatamente ao lado do convento (em 1749), os irmãos terceiros buscaram reunir esforços para erguer sua capela.

No entanto, consta que os frades carmelitas não gostaram da ideia, por receio de que as obras abalassem as estruturas da igreja conventual (que na época estava bastante deteriorada). Originou-se então um longo debate, que foi inclusive parar na Justiça. Após três anos de discussões, os frades resolveram reconstruir também sua igreja, abrindo caminho para que, em 1755, pudesse enfim ser colocada a primeira pedra da igreja dos terceiros.

As obras fluíram rapidamente, e, em 1761, foi instalado um belo portal, feito em pedra de Lioz – a obra veio de Lisboa, e representa Nossa Senhora do Carmo e São Simão Stock. É considerado o mais belo e refinado portal da cidade, e inclusive teria servido de inspiração para o Aleijadinho, que esteve no Rio anos depois (em 1777).

A fachada da igreja foi revestida de pedra de cantaria (granito), e as torres são terminadas por bulbos revestidos de azulejos, com uma configuração estilística de influência mourisca. O desenho delas é de autoria de Manuel Joaquim de Mello Corte Real, professor da Imperial Academia de Belas Artes, e vale lembrar que essas torres foram finalizadas muitas décadas depois, somente em meados do século XIX.

O interior da igreja é totalmente coberto de madeira entalhada, obra de Antonio de Padua Castro e Luiz da Fonseca Rosa, um dos mentores do Mestre Valentim. Este último também participou da decoração interior da igreja, sobretudo no entalhamento da Capela do Noviciado. O belíssimo altar-mor da igreja seria obra de ambos.

Seguindo a tradição das igrejas de terceiros carmelitas, os altares laterais do templo apresentam imagens de Cristo durante sua Paixão.

Embora a igreja só tenha sido terminada no século XIX, já no ano de 1770 foi celebrada a primeira missa no local, permitindo o início das atividades da Ordem Terceira no novo templo. Além da igreja, os terciários carmelitas também  empreenderam a fundação do Hospital do Carmo, em 1870, e que segue em suas atividades até os dias atuais.

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Portal em pedra de Lioz, trazido de Lisboa em 1761, representando Nossa Senhora, o Menino Jesus e São Simão Stock

 

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Nave central

 

 

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Púlpito e altares laterais, com imagens de Cristo durante sua Paixão

 

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Nave e coro da igreja

 

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Coroamento do arco-cruzeiro, com representação de Nossa Senhora do Carmo e membros das ordens carmelitas

 

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Pinturas representando cenas da vida de Santo Elias e Santo Eliseu, precursores da espiritualidade carmelita

 

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Pintura representando a entrega do Escapulário a São Simão Stock

 

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Altar-mor. Abaixo do crucifixo, a Virgem do Carmelo. Do lado esquerdo, Santa Teresa de Ávila, e do lado direito, Santa Emerenciana (avó de Maria, segundo o Proto-Evangelho de São Tiago). Ela segura nos braços sua filha, Santa Ana, e sua neta, a Virgem Maria.

 

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Teto da capela-mor

 

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Vista da antiga Rua Direita (atual Primeiro de Março), com as torres da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, e também da Antiga Sé

 

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REFERÊNCIAS:

 

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Carvalho, Benjamim de A., Igrejas Barrocas do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S.A., 1961

-Dornelles Facó, Anne (coord.), Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Especial de Projetos Especiais, 1997

-Tirapelli, Percival, Igrejas Barrocas do Brasil, São Paulo: Metalivros, 2008

Página Carmelita

– Site oficial da igreja: igrejanscarmorj.com.br

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