Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares – Recife, Pernambuco

A Irmandade da Conceição dos Militares foi organizada em Recife por oficiais, sargentos e praças dos corpos de fuzilaria e cavalaria, no início do século XVIII, e tinha como objetivo promover o culto divino e a ajuda mútua entre seus membros. Essa irmandade era bastante específica e não abrangia todos os soldados da região: sabe-se que nessa época os militares da artilharia já possuíam uma confraria própria, dedicada a São João Batista, e que permaneceu baseada em outra igreja (de Santa Teresa).

Não há muita documentação acerca da construção dessa bela igreja, mas o certo é que os membros da irmandade não pouparam esforços para embelezar o templo. Muitos oficiais tornaram-se efetivos benfeitores da instituição, e um exemplo do qual se possui registro é o do Mestre-de-Campo João Lobo de Lacerda, que, antes de morrer, deixou em testamento todos os seus bens para a irmandade.

Nas primeiras décadas do século XVIII a igreja já estava pronta na sua parte estrutural, e, quando já havia sido iniciada a fase de decoração, os militares escreveram ao Rei de Portugal solicitando ajuda para conclusão da igreja – uma prática comum na época, que visava mais prestigiar a obra do que propriamente obter a ajuda financeira em si. Obviamente na maior parte dos casos o rei patrocinava.

A capela-mor foi terminada em 1726, no período artístico conhecido como “fase Dom João V”. Mas as obras da igreja ainda durariam muitos anos, até a segunda metade daquele século. No altar-mor, há uma imagem da padroeira, Nossa Senhora da Imaculada Conceição, e, dos altares laterais, um é dedicado ao Santo Cristo (invocação dada a imagens de Jesus Crucificado) e outro é dedicado a São João Batista. Acima dos altares laterais, há pinturas que formam um conjunto com cada um deles: uma representa a ressurreição de Cristo, e a outra o seu batismo no Rio Jordão, pelas mãos de São João Batista.

Para todos que entram na igreja, o que mais surpreende é o teto, que contém pinturas referentes à Virgem Maria entremeadas por uma rebuscada talha barroca, de uma beleza bastante original.

Um outro destaque que essa igreja possui é uma pintura situada sob o coro, logo acima de quem entra pela porta principal: trata-se de uma representação da Batalha dos Montes Guararapes, ocorrida em 1648, e que foi um acontecimento decisivo para a libertação do Brasil do domínio holandês. Essa pintura na igreja da Conceição dos Militares é de 1781, e foi realizada a mando do governador José César de Menezes. Foi feita com um cuidado especial em retratar os principais personagens envolvidos. Não se sabe com certeza quem a realizou, mas é atribuída ao mesmo autor das demais pinturas da igreja, que provavelmente foi João de Deus Sepúlveda – um artista que também embelezou outras igrejas recifenses.

No século XX a igreja teve sua visibilidade externa reduzida, devido aos prédios que surgiram com o crescimento mal planejado do centro de Recife. Mas internamente continua com a mesma beleza das épocas passadas, e continua sob a custódia de capelães militares das Forças Armadas. No final do ano de 2014 a igreja foi fechada para realização de uma grande reforma, e deverá ser reaberta até o final de 2016 (previsão).

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Capela-mor

Capela-mor

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Arco cruzeiro, com o brasão da irmandade. À esquerda, quadro representando a ressurreição de Cristo, e à direita o seu batismo no Rio Jordão, pelas mãos de São João Batista.

Arco cruzeiro, com o brasão da irmandade. À esquerda, quadro representando a ressurreição de Cristo, e à direita o seu batismo no Rio Jordão, pelas mãos de São João Batista.

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Detalhe do teto e suas pinturas sobre Nossa Senhora.

Entre as pinturas do teto, destaca-se essa rara imagem abaixo, que representa a Virgem Maria grávida, em meio a referências alusivas à narração do livro do Gênesis, 3,15. Na parte superior do quadro, o Pai Eterno emana o Espírito Santo (representado pela pomba), que desce até Maria, que, por sua vez, gera no seu interior o Menino Jesus. Ela é abrangida por um triângulo equilátero, símbolo da Santíssima Trindade. Nas mãos de Maria há flores de lírio, simbolizando sua pureza e virgindade. Abaixo, a serpente é pisada, enquanto Adão e Eva observam toda a cena. Ao lado, um anjo segura uma grande hóstia com a inscrição ‘IHS’, iniciais de “Iesu Hominum Salvator” – Jesus Salvador dos Homens. Uma obra que pode passar despercebida, mas que é uma verdadeira aula de teologia.

Uma das pinturas do teto possui uma imagem rara, que representa a Virgem Maria grávida, em meio a referências teológicas alusivas à narração do livro do Gênesis, 3,15. Na parte superior, o Pai Eterno emana o Espírito Santo (representado por uma pomba), que desce até Maria, que, por sua vez, gera no seu interior o Menino Jesus. Ela é abrangida por um triângulo equilátero, símbolo da Santíssima Trindade. Nas mãos de Maria há flores de lírio, simbolizando sua pureza e virgindade, e abaixo a serpente é pisada enquanto Adão e Eva observam. Ao lado, um anjo segura uma grande hóstia com a inscrição IHS (Iesu Hominum Salvator - Jesus Salvador da Humanidade). Ao redor da pintura, parte da refinada talha em madeira com motivos barrocos.

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Coro da igreja, debaixo do qual está a grande pintura representando a Batalha dos Montes Guararapes.

No Recife existe um templo

De que é patrona benigna

A Virgem dos Militares;

Dele a entrada se divisa

Um fusco painel traçado

Por mãos de patriota artista,

Que esse padrão nos recorda

A brasílica valentia.

(Antiga estrofe recifense, de autoria desconhecida)

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Detalhe da pintura “Batalha de Guararapes”

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Detalhe da pintura “Batalha de Guararapes”

 

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Militares do Exército durante celebração de uma missa - Foto: Comando Militar do Nordeste

Oficiais do Exército durante celebração de uma missa na igreja da Conceição dos Militares – Foto: Comando Militar do Nordeste

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Referências:

– Barbosa, Antônio. Relíquias de Pernambuco: guia aos monumentos históricos de Olinda e Recife. São Paulo: Ed. Fundo Educativo Brasileiro, 1983

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Guerra, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife:Fundação Guararapes, 1970

– Tirapelli, Percival; Pfeiffer, Wolfgang, As mais belas igrejas do Brasil, São Paulo: Metalivros, 1999

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