Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia – Salvador, Bahia

Nos primeiros anos de existência da cidade de Salvador, por ordens do governador Tomé de Sousa, foi construída na praia uma capela em homenagem à Virgem Maria (mais precisamente em 1549).

Essa primitiva igreja sobreviveu por muito tempo, passando por toda a sorte de adversidades, incluindo os dois cercos das tropas holandesas (entre 1624 e 1650, aproximadamente). Não obstante, a devoção a Nossa Senhora da Conceiçãose tornara a mais antiga, a mais constante, a mais atraente, a mais popular e a mais solene das festas brasileiras naquele primeiro quartel do século XVII“(1).

Passados quase duzentos anos, o templo já estava bastante deteriorado, e, no ano de 1736, duas confrarias (a irmandade do Santíssimo Sacramento e a da Imaculada Conceição) se uniram para reconstruí-lo praticamente do zero. A empreitada contou inclusive com apoio real: o  rei Dom José I de Portugal, investiu uma quantia para a construção de partes da igreja, que, nas palavras dele, era um local “cuja velhice e pequenhez não dava lugar a fazerem-se com desembaraço as acções do Louvor de Deos, e assistir a ellas a multidão do Povo, e da gente Marítima que acorria” (2).

O projeto dessa reconstrução foi feito pelo engenheiro militar Manuel Cardoso de Saldanha, e a igreja foi inteiramente construída em pedras de Lioz, que foram cortadas e entalhadas em Portugal e vieram para o Brasil já prontas e numeradas. Assim, pode-se dizer que, ao menos na parte arquitetônica, esse templo foi quase inteiramente ‘importado’ de Portugal.

Um aspecto singular nessa igreja é a posição de suas torres, que foram projetadas para ficarem em posição diagonal em relação à fachada.

Fotografia de Salvador tirada no século XIX, onde aparece a igreja da Conceição da Praia

Fotografia de Salvador tirada no século XIX, onde aparece a igreja da Conceição da Praia

Em 1765, quase trinta anos após o início das obras, a estrutura da igreja estava terminada, e então a atenção se voltou para a confecção dos altares. O entalhador Lourenço Rodrigues Lançarote entalhou os altares laterais, e o grande e belo altar-mor é da lavra de João Moreira do Espírito Santo – que levou cerca de oito anos para finalizá-lo. À medida em que a talha dos altares ficava pronta, o artista Domingos Luis de Soares pintava e aplicava o douramento.

O forro da nave central possui uma grande pintura, em perspectiva ilusionista, feito para dar a impressão de que o teto da igreja é aberto em direção ao alto – um costume surgido na Itália, e que nesse templo foi realizado por autoria de José Joaquim da Rocha. E o piso é feito de mármore, de diversas tonalidades de cor. Toda a nave da igreja é circundada por tribunas, que ficam posicionadas acima dos altares.

No ano de 1946, o papa Pio XII elevou essa igreja à condição de basílica menor, e Nossa Senhora da Conceição da Praia foi então proclamada Padroeira da Bahia, sendo homenageada sempre no dia 08 de dezembro (declarado feriado) com diversas missas e procissões.

No ano de 1992, em uma das capelas lateiras (do Santo Cristo), foi sepultada a Irmã Dulce. Posteriormente, seus restos mortais foram transladados para o santuário dedicado à obra dela, mas ainda hoje a lápide original permanece ali, em memória desta grande religiosa baiana.

É a partir dessa basílica que sai, todos os anos, a procissão marítima do Bom Jesus dos Navegantes, que segue pela baía de Todos os Santos até a Ponta de Montserrat, na Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A igreja da Conceição da Praia é, sem dúvida, uma das igrejas mais belas do Brasil, e seus construtores souberam equilibrar de forma esplêndida o esplendor dos altares barrocos com a sobriedade das paredes de pedras.

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Altar-mor

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Pintura do forro, representando Nossa Senhora da Conceição

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Coro e órgão

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Nossa Senhora da Conceição

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Referências e Notas

(1) Barbosa, Manoel de Aquino, in Freguezia da Conceição da Praia, 1623-1973, vol. III, Salvador, 1973

(2) Trecho da carta régia de 28 de novembro de 1758, mencionada por German Bazin em L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

Outras referências:

– Tirapelli, Percival; Pfeiffer, Wolfgang, As mais belas igrejas do Brasil, São Paulo: Metalivros, 1999

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