Igreja do Patriarca São José – Rio de Janeiro – RJ

Na região central da cidade do Rio de Janeiro existia uma antiga ermida dedicada a São José, bem próxima ao extinto Morro do Castelo. No ano de 1807, a irmandade que cuidava desse templo decidiu reunir esforços para fazer uma igreja maior e mais bela, e já no ano seguinte as obras se iniciaram.

A estrutura da igreja foi feita de alvenaria, com ornamentação externa em pedras de cantaria, feita de modo a ressaltar a beleza das proporções geométricas. Os arquitetos que encabeçaram a obra foram foram Felix José de Souza e João da Silva Muniz, que pertenciam à Casa Real Portuguesa, e que vieram para o Brasil junto com a comitiva de Dom João VI.

Internamente, a talha foi feita numa transição do estilo barroco rococó para o neoclássico, pelo artista Simão José de Nazareth, um pardo que teria frequentado a escola do conhecido Mestre Valentim.

No ano de 1824, já após a independência do Brasil, a igreja foi finalizada e oficialmente abençoada.

O orago completo é “Igreja do Glorioso Patriarca São José”, e fica localizada ao lado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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No alto do altar-mor, imagens figurativas representando as três virtudes teologais: a Esperança (esquerda), a Fé (no centro), e a Caridade (direita)

Acima do altar-mor, imagens figurativas representam as três virtudes teologais: a Esperança (esquerda, com uma âncora simbolizando a expectativa de chegar a um porto), a Fé (no centro, com os olhos cobertos), e a Caridade (direita, com crianças, símbolo dos mais frágeis)

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Lustres e medalhão, contendo as iniciais da Sagrada Família – “JMJ” – Jesus, Maria e José

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Imagens da Sagrada Família, originárias da primitiva igreja que existiu no local

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Sobre o padroeiro:

A devoção a São José é das mais antigas da cristandade. São escassos os dados constantes no Evangelho, e, para investigar sua vida, os autores cristãos valeram-se também das tradições e de relatos de evangelhos apócrifos.

Sendo descendente do Rei Davi, José nasceu num período conturbado da história de Israel, e era um homem justo e puro. Na mesma época, Maria – também descendente de Davi – residia no Retiro do Templo, um local destinado a meninas hebreias que viviam sob a direção de mestras.

Para atender aos costumes judaicos, todas deveriam se casar ao chegar na idade núbil. No caso de Maria, esta havia consagrado sua virgindade ao Senhor, e os sacerdotes manifestaram especial preocupação em resguardar essa condição, sem que ao mesmo tempo a  lei de Moisés deixasse de ser cumprida. Primeiramente, preocuparam-se em encontrar um esposo que também fosse descendente de Davi, para que a herança familiar de Maria não se dispersasse em mãos estranhas. Certo dia, quando o Sumo Sacerdote refletia em oração, ouviu uma voz ordenando entregar um ramo seco a todos os homens que se apresentassem aptos, e somente deveria desposar a santa Virgem aquele cujo ramo florisse. Assim, se cumpriria a profecia de Isaías, que dizia: “Do tronco de Jessé sairá um ramo, e da sua raiz brotará uma flor”.

Quando os jovens da família de Davi se reuniram no Templo portando ramos na mão, apenas o de José floriu. Assim, apesar de não ser nem de longe o que tinha mais posses (era carpinteiro), esse foi o homem designado para proteger a virgindade de Maria, e mais ainda, para resguardar a infância d’Aquele que viria para libertar a humanidade de suas misérias morais. 

São José efetivamente praticou a castidade junto a Maria – tanto é assim que, quando ela se tornou grávida de Jesus, ele teve certeza que não era por obra sua. Ao mesmo tempo, sabia que sua santa esposa não seria capaz de nenhum ato contrário ao voto de virgindade. Assim, sem entender o que acontecia, ‘decidiu abandoná-la em segredo, para não a difamar’ (Mt 1,18), e só não consumou tal feito porque um anjo avisou a ele que a Criança fora concebida por ação divina. Assim, ele permaneceu junto a sua esposa, e exerceu com toda a legitimidade o pátrio poder sobre o pequeno Jesus. 

Não realizou nada de grande aos olhos do mundo, passando quase despercebido durante sua vida. Mas Jesus, o Filho Unigênito do Pai Eterno, desejou ser conhecido como ‘Filho do Carpinteiro’.

Devido à sua pureza – somada ao fato do desabrochar do ramo – é que esse patriarca tem como símbolo o lírio. É considerado exemplo de esposo, e, além de ser patrono da Igreja Católica, possui o título de padroeiro da boa morte, pois faleceu assistido por ninguém menos que a Virgem Maria e seu Divino Filho, Jesus. (1)

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Notas e referências:

(1) Ravina, Tarcísio, SSP. São José. São Paulo:Edições Paulinas, 1963

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Carvalho, Benjamin de A., Igrejas Barrocas do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S. A. , 1966

– Dornelles Facó, Anne (coord.), Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Especial de Projetos Especiais, 1997

 – Site oficial da igreja: Glorioso São José

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