Catedral de Nossa Senhora do Desterro – Jundiaí – SP

Muitos anos após a fundação das vilas de São Vicente e São Paulo, a região de Jundiaí continuava a ser habitada somente por indígenas, que viviam do plantio de milho e mandioca. Mais ou menos por volta de 1615, chegou ali um primeiro casal de portugueses, que, devido a desentendimentos políticos, tiveram que se retirar da vila de São Paulo e refazer a vida em um local mais isolado.

Os anos seguintes trariam o surgimento das bandeiras em direção ao interior, fazendo com que o local se tornasse um ponto de apoio para viajantes. Assim, aos poucos foi tomando a forma de um arraial, e não tardou a surgir a primeira igreja do local (cerca de 1651), que foi dedicada a Nossa Senhora do Desterro.

Essa invocação de Maria refere-se aos fatos narrados no Capítulo 2 do Evangelho de São Mateus: quando o rei Herodes ficou sabendo do nascimento de Jesus, pretendeu matá-lo, obrigando a Sagrada Família a fugir para o Egito. Provavelmente essa devoção tenha tido origem no primeiro casal do local, que também tinha sofrido uma espécie de desterro, forçado a sair de uma cidade para outra.

No tocante à construção da igreja, sabe-se que foi originariamente construída em estilo barroco, com paredes de taipas de pilão (barro, pedras e treliças de madeira). E assim perdurou por mais de duzentos anos.

No século XIX, veio o cultivo do café, a criação de ferrovias, e a população do local começou a se transformar. Depois de muito tempo povoada por uma mistura de pessoas de origem portuguesa, somadas aos negros e indígenas que sofriam com a escravidão promovida pelos bandeirantes, Jundiaí passou a receber imigrantes italianos, que chegaram ao local com a vantagem de ter diversos estímulos do governo imperial brasileiro. Com isso, o local passou a crescer mais rapidamente.

Com a mudança do perfil dos habitantes, a igreja do Desterro também mudou de rosto: ela foi inteiramente reformulada em 1886, sob orientação do arquiteto Ramos de Azevedo, passando a seguir o estilo das igrejas góticas italianas. Embora esse estilo tenha nascido na França, ele também foi difundido na Itália, assumindo porém mais cores e afrescos, onde brilharam nomes como Fra Angelico, Giotto e Cimabue. Um exemplo desse estilo é a Basílica de São Francisco, em Assis.

Na matriz do Desterro essa modificação aconteceu de forma gradual, estendendo-se até o início do século XX – foi quando a igreja recebeu os vitrais e as paredes foram cobertas de detalhes decorativos e afrescos, de autoria do artista italiano Arnaldo Mecozzi. No entanto, mesmo com toda a modificação, a padroeira continuou a mesma: inclusive, o título de Nossa Senhora do Desterro era também solidário à condição dos italianos, que deixaram sua terra natal em busca de melhores condições de vida.

Em novembro de 1966 o papa Paulo VI criou a Diocese de Jundiaí, e a igreja do Desterro foi escolhida para ser a sede do novo bispado, sendo assim elevada à condição de catedral.

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Nave central

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Altar do Sagrado Coração de Jesus

No altar principal, a Sagrada Família

No altar principal, a Sagrada Família (Maria, Jesus e José). Extremamente bem cuidado e resguardado, esse conjunto é o mesmo que ornava a igreja no período barroco.

Abóbada da capela-mor, com a Sagrada Família no período de seu desterro no Egito. Pode-se inclusive reparar nas pirâmides, representadas na pintura

Abóbada da capela-mor, com a Sagrada Família no período de seu desterro no Egito. Pode-se inclusive reparar nas pirâmides, representadas no fundo da pintura

O teto da capela-mor contém pinturas dos Evangelistas, emoldurados por decoração gótica

O teto da capela-mor contém os Evangelistas, emoldurados por decoração gótica

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Coro e órgão

Coro e órgão

Pintura do lado do coro, representando Santa Cecília, padroeira dos músicos

Pintura do lado do coro, representando Santa Cecília, padroeira dos músicos

Confessionário

Confessionário

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Jesus e os discípulos de Emaús

Jesus e os discípulos de Emaús (narrado em Lucas 24, 13). No alto pode-se ler – Cognoverunt eum in fractione panis. “Reconheceram-no na fração do pão”. Após a crucificação de Jesus, esses discípulos se encontraram com ele, mas pensaram ser um andarilho. Convidaram-no para cear em casa, e somente se deram conta que era Ele quando partiu o pão à sua maneira – ou seja, consagrando-o, da mesma forma que fizera na Ceia com os demais apóstolos. Daí a expressão de surpresa dos discípulos, quando percebem que estão diante do Mestre ressuscitado.

Capela do Santíssimo Sacramento

Capela do Santíssimo Sacramento

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Referências:

Catedral de Nossa Senhora do Desterro

Diocese de Jundiaí

História de Jundiaí – Governo Municipal

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