Mosteiro de São Bento (1599) – Olinda, Pernambuco

As raízes da ordem beneditina remontam ao século V, quando viveu Bento de Núrsia (São Bento), o fundador da obra. Na época, o Império Romano estava em franca decomposição institucional e moral, e a Europa sofria com as invasões bárbaras. Bento, ainda jovem, abandonou Roma para viver recluso numa gruta, na região de Subíaco (sudoeste de Roma). Após ter fundado doze mosteiros na região, mudou-se para Monte Cassino, onde edificou o que viria a ser o principal mosteiro da sua ordem.

Ao longo dos séculos, a partir desse local, irradiou-se a ordem beneditina por toda a Europa, por meio de numerosos mosteiros que iam surgindo nas mais variadas regiões e países, exercendo enorme influência no processo cristianizador, civilizatório e pacificador sobre as tribos bárbaras de então. Eram ponto de referência para camponeses, mas também para reis e governantes. Assim, São Bento é considerado um dos patriarcas espirituais da Europa cristã.

Em Portugal, os primeiros mosteiros beneditinos foram instalados por volta do século X, através de dois monges espanhóis. Dentre os principais, podemos mencionar os de Paço de Souza, Santo Tirso e Tibães. Este último foi o principal ponto de apoio para uma grande reforma que foi realizada muito tempo depois, pelo papa São Pio V (século XV), visando uma restauração institucional na ordem.

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Os primeiros beneditinos que vieram para o Brasil eram oriundos do mosteiro de Tibães. Instalaram-se primeiro em Salvador, e em seguida se expandiram para Olinda, onde primeiramente ficaram instalados na capela de São João Batista (1592), e depois na igreja de Nossa Senhora do Monte (1595). Constatada a conveniência de um terreno mais próximo à cidade, foi iniciada a construção do mosteiro, no ano de 1599.

Em 1630, a Companhia das Índias Ocidentais (Holanda) começou a invasão de Pernambuco, e, no ano seguinte, incendiaram a maior parte da cidade. O mosteiro beneditino não escapou, e ficou em ruínas durante bastante tempo. Os monges se dispersaram, sendo que alguns ficaram morando em povoados do interior, e outros se uniram à resistência armada. Somente após a reconquista de Pernambuco é que o local seria reedificado, no ano de 1670.

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No século seguinte, a partir do ano de 1750, houve uma reforma total do templo, quando foi aumentada a igreja e reestilizada a fachada.

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Como decorrência dessa mesma reforma – sob o comando do abade Frei Miguel Arcanjo da Anunciação – foi concluída a sacristia, considerada a mais bela de Olinda, e construída uma nova capela-mor. A obra culminou com a confecção da parte mais bela da igreja, que é um altar-mor de belas proporções e com uma exuberante talha dourada.

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Em maio de 1828, nas dependências da biblioteca do mosteiro, foi fundado o primeiro curso de Direito do Brasil Imperial, transferido depois para Recife.

Em 1895 o papa Leão XIII enviou para o Brasil alguns monges para empreenderem uma restauração institucional, o que fez com que a vida espiritual ganhasse novo fôlego no local.

Atualmente, os monges continuam a habitar o mosteiro, e, dependendo do horário em que se visita a igreja, é possível acompanhar o cântico do ofício divino (gregoriano).

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Tribunas na capela-mor

Estalas usadas pelos monges para as orações

Estalas usadas pelos monges para as orações

Balaustrada que divide a área da capela-mor

Balaustrada que divide a área da capela-mor

Coro da igreja, ornado por um crucifixo em tamanho natural

Coro da igreja, ornado por um crucifixo em tamanho natural

Brasão beneditino - o leão e o castelo aludem aos dois monges espanhóis (de Leão e Castela) que iniciaram a ordem em Portugal; o sol representa o fundador (São Bento), o báculo na mão do leão simboliza a autoridade do abade, e o rio que corre da torre simboliza a expansão da ordem (referência-Mosteiro de Tibães, Portugal)

Brasão beneditino português – o leão representa a força e a perseverança dos monges, e o báculo na sua mão simboliza a autoridade do abade. O castelo faz referência à vida nos mosteiros, e o sol representa o fundador, São Bento. Outra significação do leão e do castelo é referente aos dois primeiros monges  que iniciaram a ordem em Portugal – eram oriundos do reino espanhol de Leão e Castela. O rio que corre a partir da torre simboliza a expansão da ordem (referência-Mosteiro de Tibães, Portugal)

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“Devemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor. Nesta instituição nada esperamos  estabelecer de áspero ou de pesado.  Mas se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de equidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade, não fujas logo, tomado de pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início. Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. De modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser co-herdeiros de seu reino (trecho da Regra de São Bento).”

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Referências:

Abadia de Hardehausen

– Barbosa, Antônio. Relíquias de Pernambuco: guia aos monumentos históricos de Olinda e Recife. São Paulo: Ed. Fundo Educativo Brasileiro, 1983

– Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

Regra de São Bento

– Tirapelli, Percival; Pfeiffer, Wolfgang, As mais belas igrejas do Brasil, São Paulo: Metalivros, 1999

 

 

 

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