“”Tem acontecido algumas vezes na História - pouco frequentemente - de uma sociedade humana se exprimir inteira em alguns monumentos perfeitos e privilegiados, e de transformar em obras, legadas às gerações futuras, tudo aquilo que ela possui em termos de vigor criador, de espiritualidade profunda, de possibilidades técnicas e de talentos. Essas flores não irrompem nem desabrocham a não ser quando a seiva é pura e abundante, quer dizer, quando a sociedade é fecunda, harmoniosa, e quando existe na sua massa o instinto de criação, esse fervor espiritual que, levando o homem mortal acima dele mesmo, o possibilita de se eternizar. Essas obras não nascem do acaso, mas da paciência crepuscular e das grandes esperanças, em um momento favorável do tempo. Assim, elas marcam o ponto culminante de uma curva que descreve as sociedades humanas; são breves flores de perfeição.
Através delas, é toda a civilização que as criou que se deixa compreender. No Parthenon de Péricles, não é Athenas, guia das artes, mestre do pensamento claro, que se desabrocha em nosso olhos? A Indonésia bramânica não está inteiramente compreendida na ordem caótica, na proliferante riqueza de Borobudur? E, apenas ao considerar Versailles, não se nos revela toda a França do Grande Rei? Por sua vez, a espiritualidade, a moral, a vida prática, os trabalhos, e, de uma certa forma, até a política medieval, não estão plenamente eternizadas nas catedrais europeias?
Essas aparições, assim como o desabrochar de uma flor, são precedidas de uma germinação lenta, de um impulso orgânico que por vezes dura séculos. Resultado ao mesmo tempo de um aperfeiçoamento técnico e de uma gradual aquisição de consciência da coletividade, elas encontram seu ponto de eclosão no momento em que sua seiva é mais abundante.””
(Henri Daniel-Rops, Comment on batissait les Cathedrales, Paris: Le Centurion, 1954)
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Considerando essa visão apresentada, o principal objetivo dessa página é lançar um olhar sobre os templos católicos mais significativos do Brasil, tendo em vista não apenas seu aspecto material, mas também, na medida do possível, seu lado espiritual, incluindo as pessoas que os fizeram, o contexto histórico, e também o simbolismo e a doutrina ali representados.
Além disso, há outros motivos que também estimularam a realização desse trabalho. Dentre eles:
a) a pouca valorização do passado, o vandalismo cultural e o frequente desrespeito à memória histórica, comum em quase todas as cidades brasileiras;
b) a existência de guias turísticos despreparados, que repassam (ou inventam) mitos, lendas e fantasias sobre a história e os significados de inúmeras igrejas Brasil afora;
Não há intenção de esgotar o assunto ou de passar um conhecimento ‘enciclopédico’ sobre cada igreja - há diversas obras dedicadas a isso, e que são mencionadas como referências, podendo ser consultadas por quem se interessar.
E, finalmente, espera-se que o blog sirva de estímulo à visitação dessas igrejas. Por mais bela que seja uma história ou uma foto, elas não reproduzem inteiramente as impressões que somente uma visita pessoal causa. Para facilitar nesse quesito, também é indicada a localização geográfica das igrejas, por meio de links para o Google Maps.
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FOTOGRAFIAS
As imagens usadas neste blog são de produção própria, exceto quando expressamente mencionada outra fonte. Podem ser replicadas em outros lugares, desde que não haja fins lucrativos, e desde que contenham a devida menção autoral (direito moral), nos termos da Lei nº 9610/98:
“Art. 79. O autor de obra fotográfica tem direito a reproduzi-la e colocá-la à venda, observadas as restrições à exposição, reprodução e venda de retratos, e sem prejuízo dos direitos de autor sobre a obra fotografada, se de artes plásticas protegidas.
- 1º A fotografia, quando utilizada por terceiros, indicará de forma legível o nome do seu autor.
- 2º É vedada a reprodução de obra fotográfica que não esteja em absoluta consonância com o original, salvo prévia autorização do autor.”
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Organização, textos e fotografias: Tarcisio Iran Cangussu Guimarães ([email protected]); Plinio Lins ([email protected]); Jean Paulo de Souza ([email protected]); Israel Dias Reis.
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CONTATO:
Tomei conhecimento desse blog por meio de um professor de arquitetura e digo que o formato e o propósito estão MUITO BONS.
Além de ter material original, vejo uma preocupação em usar fontes confiáveis e também um cuidado em dar a elas um acréscimo de ‘vida’, contando experiências de seres humanos envolvidos com essas igrejas. Como bem dizem, cada igreja não é apenas um patrimônio de pedra, tijolos e madeira, mas é a expressão de mentalidades e vivências humanas.
Parabéns por mostrarem ao mundo esses tesouros.
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