A primeira edificação erigida neste local remonta ao ano de 1594, quando Cristovão de Aguiar Daltro fez uma capela em honra a Santo Antônio. A expressão “Além do Carmo” é uma alusão à sua posição geográfica, uma vez que a igreja ficava situada além de uma portas de entrada da cidade de Salvador - mais especificamente, as Portas do Convento do Carmo.
Durante a invasão holandesa de 1624, a igreja foi ocupada pelos invasores, e o culto só foi restabelecido após a batalha ocorrida no ano seguinte, que libertou a cidade (a esse respeito, ver histórico do Convento do Carmo). Porém, houve uma segunda segunda tentativa holandesa de conquistar Salvador - dessa vez, ocorrida em 1638, e comandada desde Pernambuco por Maurício de Nassau. Nessa ocasião, a igreja de Santo Antônio Além do Carmo foi transformada em uma fortificação, e constituiu um baluarte da defesa da cidade, sob os comandos do Conde de Bagnuoli. Após a vitória, o Padre Antônio Vieira utilizou o púlpito dessa igreja para pregar o seu sermão “À beira das trincheiras que, por 40 dias, defenderam a cidade contra as tropas de Nassau“.
Dez anos depois (1648), foi criada uma paróquia que ficaria sediada nessa igreja, ocasião em que foi promovida uma reconstrução e ampliação do templo. Em frente à igreja, foi edificado um forte, tendo em vista sua posição estratégica para a época.
Em alguma das reformas realizadas, o frontão da igreja ganhou um traçado que lembra o estilo piramidal das igrejas da escola franciscana do Nordeste, mais especialmente presente no convento da vila de São Francisco do Paraguaçu.



Mais de um século após a fundação da paróquia, mais precisamente em 1813, uma nova reforma acrescentou modificações na igreja. Foram acrescentadas galerias nas laterais, e o interior recebeu altares em estilo neoclássico, provavelmente entalhados por Cipriano Francisco de Souza. E na transição do século XIX para o século XX, foi acrescentada uma pintura de escaiola no interior da igreja, o que lhe deu um visual semelhante ao mármore. 

O bairro de Santo Antônio Além do Carmo permanece com uma característica predominantemente residencial e está visualmente preservado em seu casario, o que lhe confere um ambiente tranquilo e interiorano, mesmo estando a poucos minutos de caminhada do agitado Pelourinho.

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REFERÊNCIAS:
- Bazin, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958
- http://www.bahia-turismo.com
- www.culturatododia.salvador.ba.gov.br