Catedral de São João Batista - Santa Cruz do Sul - RS

A catedral de Santa Cruz do Sul faz parte do conjunto de igrejas ‘neogóticas’ que passaram a ser construídas no Brasil a partir do século XIX. Esse estilo é uma reprodução do estilo ‘gótico’, que surgiu na França, no século XII, e logo se propagou por toda a Europa, adquirindo diferentes características de acordo com as tendências artísticas do povo de cada país ou região.

No século XIX, com o movimento cultural do Romantismo, houve uma nostalgia em relação às construções do período medieval, e várias igrejas voltaram a ser edificadas nesse estilo, que havia sido desprezado pelos renascentistas. Pelo fato dessas novas construções serem feitas com técnicas mais recentes, considera-se que são de estilo ‘neogótico’, ou ‘novo’ gótico.

Em terras brasileiras, as primeiras igrejas neogóticas surgiram também no século XIX, devido à influência de imigrantes europeus que começavam a aportar por aqui - a primeira delas foi erigida em Minas Gerais, no Santuário do Caraça, projetada por um sacerdote francês.

O Rio Grande do Sul, que acolheu milhares de imigrantes italianos e alemães, não ficaria de fora desse movimento - sobretudo se considerarmos que, no entender de Daniel-Rops, esses templos desabrocham do meio do povo, transmitindo sua cultura e mentalidade.

A catedral em construção, vendo-se também a antiga matriz da cidade.

A catedral em construção, vendo-se também a antiga matriz da cidade.

Assim, no início do século XX, o povo da cidade de Santa Cruz do Sul (região central do estado), que recebeu grande afluxo de alemães, empreendeu a construção daquela que seria uma das maiores igrejas neogóticas da América do Sul.

A edificação, iniciada em 1928, teve como projetista o arquiteto Simão Gramlich, que baseou-se em igrejas góticas alemãs. Um característica dessa vertente do gótico pode ser vista nas abóbodas do teto, cujas nervuras formam desenhos estrelados, presentes, por exemplo, na Unserer Lieben Frau Maria Himmelfahrt (igreja nossa senhora da Assunção em Schwaz).

As obras foram conduzidas pelo engenheiro Ernesto Matheis, e, oito anos depois de iniciada, a igreja foi entregue ao culto público. Porém, com o advento da Segunda Guerra Mundial, as obras andaram mais lentas, e o templo só seria finalizado em 1977 com a construção das duas torres, que possuem cada uma 82 metros de altura.

Em 1959, a região foi desmembrada da Diocese de Porto Alegre, e a igreja passou a ter o status de catedral, sendo a sede do episcopado.

Não é ainda uma igreja centenária - como a maioria das que aqui são mostradas - mas, por sua religiosidade, beleza e representatividade, merece estar estampada nesse rol de patrimônio espiritual do Brasil.

A catedral é dedicada a São João Batista, aquele que preparou os caminhos para Jesus Cristo perante Israel, e batizou-o no rio Jordão: “Toda a Judeia e todos os habitantes de Jerusalém corriam para ele; confessavam os seus pecados e deixavam-se batizar por ele no Jordão” (Mc 1,5).

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